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Gran Torino(2008)

Há um mês | Drama, | 1h56min

de Clint Eastwood, com Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang e Ahney Her


No dia 31 de maio passado, o gigante Clint Eastwood celebrou o seu 90.º aniversário. Este homem é das últimas maiores lendas de Hollywood. E para aproveitar o estado atual, decidi rever um dos meus filmes favoritos da autoria deste génio: Gran Torino. Pois, esta longa-metragem confronta um homem com ideologias muito patriotas “contra” muitos novos imigrantes asiáticos no seu bairro.

O que nos conta o filme?

Walt Kowalski (Clint Eastwood), um veterano da Guerra da Coreia, é um homem inflexível e encarna todos os preconceitos “da moda antiga”. Após uma longa vida de trabalho, agora reformado e recentemente viúvo, Walt passa os seus dias bebendo umas cervejas, passeando, falando com a sua cadela Daisy e só confia no seu M-1, sempre por perto dele. O seu bairro já não é o que era, todos os seus antigos vizinhos foram embora, ou morreram há alguns anos. Por sua vez, o bairro está agora cheio de imigrantes asiáticos e Walt despreza-os, não escondendo o seu ódio. As lutas entre gangs também se começam a fazer sentir. Um dia, Thao (Beeg Vang), um adolescente que é vizinho de Walt, é “forçado” por um dos gangs a roubar a Gran Torino do nosso protagonista. Toda esta situação vai fazer com que a vida deste bairro mude, para todo o sempre.

Por onde começar? Eastwood aborda todos os preconceitos possíveis sobre a religião, o problema das classes-sociais baixas, o racismo e ainda a xenofobia. O seu filme é extremamente simples a nível de argumento, mas tão rico emocionalmente e nas mensagens que quer transmitir. É daquelas obras que retratam um pequeno pedaço do quotidiano que nos vai fazer questionar sobre todas as nossas crenças e a visão que temos de mundo que nos rodeia.

Eastwood usa uma personagem idosa, cliché e patriota dos Estados Unidos para desconstruí-la ao longo dos minutos. A sua realização é simples, mas tão poderosa! No entanto, (como referi na minha crítica a Richard Jewell – 2019) aquilo que me fascina no cinema do realizador é o quão ele é excelente a dirigir um elenco e o quão ele consegue captar todas as pequenas emoções no momento certo. Tanto estamos a rir com uma situação embaraçosa ou recheada de humor negro (a cena onde o filho e a nora vêm comemorar o seu aniversário), como estamos a chorar litros de água em segundos na cena seguinte.

Todas as personagens do filme vão evoluir e aprender umas com as outras. Que seja o padre (Christopher Carley) com Walt; Walt com a família de Thao e Sue (Ahney Her) – nota que estes dois atores nunca tinham participado em nenhum filme; Thao com Walt e vice-versa. A química entre todo o elenco é espetacular e apesar de sentirmos aquilo que vai acontecer no final – acaba por ser inevitável – ainda nos surpreende na sua execução.

Gran Torino é o filme que me fez ver Clint Eastwood como um dos maiores realizadores de sempre. É uma Obra de Arte. É um filme com um coração muito grande, que desconstrói uma personagem detestável e cativante ao mesmo tempo, num protagonista com um arco narrativo impressionante, que fará o público pensar na vida após o final. Se forem sensíveis (sim, já deu para perceber que sou) guardem um rolo de papel higiénico perto de vocês. É uma demonstração implacável, irresistível e fascinante. Uma grande lição na esperança, na vida, na humildade e sobretudo, um imenso momento de cinema.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Raquel Lopes:   9
 Bernardo Freire:   8