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Charlie's Angels(2019)

Há 6 meses | Ação, Aventura, Comédia, | 1h58min

de Elizabeth Banks, com Kristen Stewart, Naomi Scott, Ella Balinska e Elizabeth Banks


Há certas histórias que sobrevivem décadas nos nossos ecrãs, sejam em salas de cinema ou televisões. Charlie’s Angels é definitivamente um destes casos. Das suas várias versões, as mais conhecidas são a série televisiva que começou em 1976 e a duologia de filmes de 2000 e 2003 com Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu. Recentemente, uma nova continuação escrita e realizada por Elizabeth Banks estreou em 2019.

No centro, como sempre, temos a agência privada composta por agentes femininas, os anjos, que combatem o crime com estilo. O seu chefe é Charlie, cuja voz é a única coisa que conhecemos sobre esta figura anónima, e a coordenar as missões temos um conjunto de oficiais denominados de Bosley.

Nesta nova instalação, Elena (Naomi Scott) contacta a agência Townsend para a ajudar a impedir que a empresa em que trabalha lance um novo dispositivo de energia sustentável sem modificações primeiro, uma vez que no seu estado atual pode ser usado como arma. Por isso, Sabina (Kristen Stewart) e Jane (Ella Balinska) são escolhidas para enfrentar este desafio com a ajuda de Bosley (Elizabeth Banks).

Curiosamente, esta sequela destaca-se das outras, sem as contradizer, ao expandir o universo a padrões modernos e a um nível internacional. No entanto, isto não a torna automaticamente melhor. Em teoria resulta, mas na prática há múltiplos aspetos que falham em transpor esta ideia para a realidade e o carácter global fica reduzido à posição de glamour vazio.

Adicionalmente, apesar de estar repleto de ação, estas cenas nem sempre são bem-feitas. Não só o formato é repetitivo e as táticas muitas vezes nem fazem sentido, como também a edição é demasiado agitada e fragmentada. Para se juntar ao que já é mau, temos a banda sonora comercial e o guarda-roupa genérico.

O que falta é subtileza. Senão no que tenta transmitir, pelo menos na comédia e no próprio enredo. Isto porque tenta ser engraçado, surpreendente e radical, contudo não o consegue. Para ter estas características, precisava de ir mais longe.

Assim, representa um feminismo muito superficial, com personagens que parecem caricaturas banais. Numa era em que temos obras como Portrait de la jeune fille en feu (2019) ou até mesmo Bridesmaids (2011), ambos diferentes, mas que conseguem ter um elenco de mulheres com histórias com que nos podemos relacionar, que nos inspiram ou fazem rir, conseguimos ver o quão fácil e barato é o que Charlie’s Angels faz.

O elenco ainda tenta trabalhar com o que lhes é dado, mas o trio não chega a ser tão carismático como os anteriores e não se fazem milagres com um argumento destes. Portanto, no geral, não tenho nada muito de bom a apontar. Tem potencial e não nego ver uma sequela, mas por agora ficou-se por ser um filme muito vazio e genérico que nem chega a ser o que é suposto: um guilty pleasure divertido. 


Margarida Nabais
Outros críticos:
 Pedro Horta:   2
 Alexandre Costa:   1
 Raquel Lopes:   3