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The Trial of the Chicago 7(2020)

Há um mês | Drama, História, Thriller, | 2h15min

De Aaron Sorkin com John Carroll Lynch, Sacha Baron Cohen, Jeremy Strong, Danny Flaherty, Noah Robbins, Yahya Abdul-Mateeen II, Joseph Gordon-Levitt, Mark Rylance, Ben Shenkman, John Doman e Frank Langella.


The Trial of The Chicago 7, uma das mais recentes produções da Netflix, não poderia chegar em hora mais oportuna. Realizado por Aaron Sorkin, argumentista de The Social Network (2010) e um dos argumentistas também de Moneyball (2011), traz-nos a sua segunda longa-metragem, que, em tempo de eleições, não deixa de nos fazer refletir no passado da História Americana, que acaba por ter aspetos que se assemelham a acontecimentos e decisões feitas no mandato do atual Presidente dos Estados Unidos da América.

O filme retrata o julgamento de supostos líderes de um protesto violento, em Chicago, contra a Guerra do Vietnam em 1968, que tinha como slogan “o mundo está a assistir”. O enredo inicia-se com imagens documentais que permitem contextualizar a turbulência dos anos 60, o que nos leva a perceber que é um período conturbado, propício ao protesto na Convenção Nacional Democrata. A manifestação, a príncipio pacífica, acabou por sair um pouco do controle, e, como vingança política de John Mitchell (John Doman), o procurador-geral de Richard Nixon, coloca as personagens que acompanhamos no banco dos réus, acusados por começar um protesto violento.

Os acusados são Tom Hayden (Eddie Redmayne) e Rennie Davis (Alex Sharp), membros da Sociedade Democrática de Estudantes, Dave Dellinger (John Carroll Lynch) um pacifista da Comissão Nacional Mobilizadora para o Fim da Guerra do Vietname, Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen) e Jerry Rubin (Jeremy Strong), membros do Partido Internacional da Juventude, ou, simplesmente, yippies. Posteriormente, ainda John Froines (Danny Flaherty) e Lee Weiner (Noah Robbins), que são duas personagens que nem sabemos muito bem porque ali estão, têm um peso menor no processo, e  Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateeen II), o líder dos Panteras Negras, que foi apanhado no meio da situação sem ter ligação ao protesto em si ou aos restantes, sendo que teve apenas quatro horas na cidade para discursar. É interessante referir que o título tem o número 7 quando indiquei 8 indivíduos, o que fica de fora é exatamente Bobby Seale, pois não tinha ligação direta ao processo.

O poderoso drama, tem uma abordagem mais humana, realçando os defeitos da nação americana daquela época, que podem ser relacionados com os protestos recentes contra a violência policial, que perdura e estabelece semelhanças. Para além disto, exibe forças governamentais e judiciais corrompidas, conservadoras e preconceituosas, como o juíz Julius Hoffman da obra, representado com excelência pelo ator Frank Langella, que pode fazer também uma ponta com a nomeação da juíza Amy Coney Barret para juíza do Supremo Tribunal dos Estados Unidos.

O elenco faz do filme também o que ele é, com uma ótima prestação de todos, que nos envolve na trama e que acaba por contribuir para as emoções que nos são despertadas ao longo do filme, desde risos a ataques de fúria. Enfim posso estar a exagerar, mas de facto os atores fazem corresponder às exigências das personagens que contribuem para a nossa vivência do filme.

Sendo um filme todo ele passado durante um julgamento num tribunal, para além dos personagens e suas representações o diálogo é também um elemento muito importante no filme, com diálogos vibrantes em cada cena. O próprio realizador destaca-se noutros trabalhos pelo diálogo, sendo de esperar que The Trial of Chicago 7 não seria diferente.

A obra apresenta-se muito bem composta, a contextualização e o intercalar de flashbacks são bem pensados e permitem-nos acompanhar tudo de uma maneira mais próxima, e próxima dos dois lados da verdade.

The Trial of The Chicago 7 é uma ótima adição da Netflix, uma obra de duas horas que surpreende bastante, bem conseguido, que flui bem, e vem numa hora certa, porque relembrar a História pode levar a uma boa reflexão.


Rafaela Boita
Outros críticos:
 Raquel Lopes:   8
 Alexandre Costa:   8
 Diana Neves:   7
 Rafael Félix:   8
 Pedro Horta:   8