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The Old Guard(2020)

Há 2 meses | Ação, Aventura, Fantasia, | 2h4min

De Gina Prince-Bythewood, com Charlize Theron, Chiwetel Ejiolor, Kiki Layne, e Matthias Schoenaerts


The Old Guard é das mais fortes e recentes apostas da Netflix, tendo já a famosa plataforma de streaming planos para uma continuidade da história caso se confirmem as expectativas de sucesso, o que parece inevitável atendendo aos milhões que já visualizaram o filme. A trama junta elementos de fantasia com muita ação, como refiro mais ao pormenor de seguida.

Liderados pela guerreira Andy (Charlize Theron), um grupo de mercenários aparentemente imortais protege os que mais precisam no mundo dos mortais há séculos. Mas quando a equipa é recrutada para uma missão de emergência e os seus peculiares talentos ficam expostos, cabe ao resistente grupo juntamente com a nova recruta Nile (Kiki Layne) eliminar a ameaça daqueles que querem capturá-los e fazer deles cobaias para experiências intermináveis.

A premissa promete cenas de ação intensas e frequentes, uma vulgar luta do bem contra o mal, do certo contra o errado, entretenimento, e personagens que rapidamente sejam do nosso agrado, e a verdade é que cumpre aquilo a que se propõe. Dentro do seu registo não atinge a excelência, mas tem uma frequência de cenas de pancadaria e tiroteios bem coreografadas que fazem valer as 2 horas do filme. Uma aposta do género que vai sendo mais comum por parte da Netflix, se nos lembrarmos de Extraction(2020) com Chris Hemsworth, estreado há poucos meses.              

Existe uma boa relação entre a banda sonora e os picos de adrenalina nas sequências mais longas, mas sem surpreender ou entusiasmar por aí além. O elenco é seguro, Charlize Theron lidera de forma convincente, dando um tom à voz e andar, um ritmo próprio às palavras que se ajustam à condição de ser multicentenário sábio e sem medo da morte da personagem. O sentido de humor é utilizado a espaços, jogando bastante com o contexto de imortalidade (ou quase) num mundo de mortais, e para esse efeito os seus dois maiores representantes são Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli), aligeirando um cenário de sangue, mortes e perigo que envolve o filme do início ao fim. É palpável a empatia entre os velhos amigos, o que facilita a nossa própria empatia para com eles. A personagem que é introduzida no grupo acaba por encaixar e conquistar o seu espaço naturalmente, oferecendo também uma perspetiva mais próxima da nossa, de como reagiríamos se descobríssemos ter uma capacidade de regeneração que nos torna quase invencíveis.

Chiwetel Ejiofor será o outro nome forte do elenco, mas tem um papel secundário e com pouco por onde pegar, num desaproveitamento claro do seu talento. E por falar em desaproveitamento, sempre que um vilão surge com um discurso previsível, não passando qualquer carisma nem dimensão humana, é uma boa oportunidade desperdiçada para explorar uma faceta mais obscura do ser humano. Sabemos todos vendo de fora que as intenções da personagem são más, mas é importante que sintamos que para ela todas as suas atitudes são de acordo com o que acredita ser o melhor, e isso é parte do que torna credível e fascinante este tipo de antagonistas. Não é o caso de Merrick (Harry Melling). Sem sal, nem pimenta, nem condimentos que acrescentem sabor para que o mau da fita esteja à altura de Andy e companhia.

Em suma, The Old Guard é um sólido filme de ação com um toque de sobrenatural, não muito acentuado, tentando não complicar demasiado nesse campo, usando esse elemento mais para enriquecer a premissa do que para a catalogar. Com um vilão sem grande expressão como fator mais negativo, mas com Charlize Theron a protagonizar mais uma personagem poderosa e carismática num filme do género, atribuo esta pontuação.


Antony Sousa
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