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The Haunting of Bly Manor(2020)

Há um mês | Drama, Horror, Mistério, |

de Mike Flanagan, com Victoria Pedretti, Oliver Jackson-Cohen, Amelia Eve, T’Nia Miller e Rahul Kohli


Dois anos depois da estreia da tão famosa e adorada The Haunting of Hill House (2018) na Netflix, a aguardada sequela, que funciona em forma de antologia e não como um seguimento da história anterior, chegou aos nossos ecrãs no início de outubro. Apesar dos ocasionais paralelismos e do título semelhante, The Haunting of Bly Manor distancia-se da sua precedente em vários níveis e nem sempre para melhor.

Inspirada no clássico da literatura de terror “The Turn of the Screw”, de Henry James, a narrativa apresenta-nos Dani (Victoria Pedretti), uma jovem professora que se muda para a mansão de Bly como au pair para duas crianças, Miles (Benjamin Evan Ainsworth) e Flora (Amelie Bea Smith). Assombrada por traumas do passado, o otimismo que sente inicialmente pela sua nova vida é anuviado por visões que a perseguem e os mistérios que envolvem a propriedade e os seus residentes, tanto presentes como passados.

Tal como a sua protagonista, a própria série é assombra. Não por fantasmas, mas por obras passadas e com isto, falo de igual forma da já referida The Haunting of Hill House (2018) e de uma anterior adaptação do mesmo livro - o filme The Innocents (1961), de Jack Clayton. São comparações inevitáveis e portanto importantes de serem mencionadas. Contudo, por serem claramente superiores, também acabam por ser das grandes razões pelas quais esta mais recente série não ficou tão bem vista aos meus olhos.

Vários membros do elenco passado regressam, repetindo uma colaboração com Mike Flanagan. Desta vez, alguns trazem com eles sotaques diferentes, sendo o de Oliver Jackson-Cohen o único que posso considerar verdadeiramente bom. Tirando esse pequeno-grande pormenor, as suas interpretações continuam a ser de louvar. No entanto, não posso deixar de salientar as novas adições, especialmente T’Nia Miller e Rahul Kohli, cujos trabalhos individuais e a química como par foram das grandes revelações.

No que toca ao enredo em si, tem temas bastante interessantes. O criador continua o seu caminho de proclamação de um terror humano e oriundo das nossas experiências, dos fantasmas como figuras não muito longínquas de nós próprios. Aqui, o foco não se encontra tanto na união coletiva, mas em relações específicas, algumas destas bem construídas, outras nem tato.

É verdade que nunca chega a ser verdadeiramente assustadora, algo que autorreconhece, mas mesmo assim há um ambiente sinistro que nunca nos abandona. A realização é integrada numa só, não de um modo perfeito, mas surpreendente, visto que é assumida por sete cineastas diferentes. Porém, o que se destaca mais está nos traços góticos, que se juntam aos modernos e à nostalgia da década de 80 para formarem coletivamente um estilo incrivelmente bonito, da banda sonora e guarda-roupa à cinematografia. 

Ao longo dos nove episódios, por vezes torna-se difícil sentir o tempo a passar. Há uma maior sensação do que parece simplesmente querer encher a história e de uma certa repetição, mesmo que esta seja inerente aos assuntos que retrata. O ritmo da estrutura evolve consoante o nível do mistério e se este começa forte, é relativamente fácil perceber onde vai. Enquadrado nos extremos do início e do fim por sequências que se tornam disjuntas do que vimos antes, o que pretendem transmitir podia ter sido feito de uma maneira que não traísse alguns dos momentos incríveis que vieram antes.

Ainda assim, The Haunting of Bly Manor continua a ser uma série a não perder. Sofre bastante pelas expectativas que traz na sua bagagem e por nunca as ultrapassar, mas também oferece elementos fortes que ficam com o espetador, dias e semanas depois. Embora estes não compensem os defeitos, pode-se dizer que os equilibram.


Margarida Nabais
Outros críticos:
 Rafael Félix:   6