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Work It(2020)

Há um mês | Comédia, Música, | 1h33min

De Laura Terruso, com Sabrina Carpenter, Liza Koshy, Keiynan Lonsdale e Jordan Fisher


Se dançarmos ao som da música que já sabemos que vai tocar porque gostamos dela, sem pensar que já sabemos o que vai dizer, Work It será satisfatório.

Para entrar na universidade onde estudou o seu falecido pai, Quinn Ackerman (Sabrina Carpenter), uma brilhante aluna que nunca foge dos planos e regras, cria um grupo de dança para entrar numa competição nacional onde todas as universidades terão algum representante a tirar notas que poderão definir o futuro dos alunos. Quando uma vida inteira é vivida com a cabeça no lugar, torna-se difícil permitir que por uma vez o coração comande as suas ações, mas é isso que Quinn precisará de fazer para conseguir o seu objetivo.

A dança está muito presente (obviamente) no filme, mas não cai num exagero extremo como outros exemplos do género, em que qualquer situação é pretexto para uma coreografia (ex: Step Up, qual? You name it). Além disso não é um filme só para especialistas ou bailarinos apreciarem, vai dos muito talentosos aos apaixonados por dança e que dão os primeiros passos. Pode acabar por passar uma ideia pouco realista, já que para se dançar bem são precisos muitos anos e muitas horas de trabalho, mas tendo consciência que sabemos que estamos num filme, é mais importante a parte que motiva pessoas a querer aprender a dançar.

Há sempre um romance neste género e Work It não é exceção, mas até aí ganha pontos, voltando a não cometer excessos e a sobrecarregar a trama com carga dramática, nem sendo meloso quando tudo corre bem. A química entre Quinn e Jake Taylor (Jordan Fisher) passa para este lado, e aqui não creio que fosse favorável pedir mais do que isso.

Sabrina Carpenter é reconhecida do público mais infantil, com participações em séries da Disney, mas será uma revelação para muita gente, e certamente esperam-lhe muito mais oportunidades no futuro. Os timings de humor foram no ponto, e provou claramente conseguir carregar um filme neste registo cómico. Agarrou a oportunidade e não me surpreenderia vê-la em comédias românticas da Netflix brevemente. Keyinar Lonsdale que interpreta Julliard, o antagonista da história, faz um trabalho seguro dentro do universo do filme, não sendo maquiavélico, e mostrando inseguranças, mas tendo a aura de bully sempre presente. O restante elenco cumpre a sua função de manter a energia em alta e as dinâmicas credíveis. Há personagens que pouco dizem, e acrescentam sobretudo no momento em que vemos as coreografias na sua versão final. Mas a verdade é que não sendo uma série dificilmente daria para explorar ao máximo toda a informação que nos é dada ao longo da trama. Há uma consciente decisão de prioridades, do que serve mais a história e merece mais tempo de antena.

De um modo geral Work It funciona, não nos surpreende, mas por vezes é isso mesmo que queremos quando começamos a ver uma história de David vs Golias e um coming of age em simultâneo. Queremos mesmo que aconteça o que estamos à espera que aconteça, porque será sinal que no fim nos importamos com as personagens que estivemos a acompanhar na última hora e meia.

Os elementos que não jogam a favor de uma apreciação mais generosa do filme são claramente a previsibilidade e falta de originalidade, além do aspeto de apressar um pouco o momento de ensaios que referi acima. Não é difícil prever grande parte do desfecho da trama se já tivermos visto filmes semelhantes.

Há também uma mensagem importante subliminar que passa que no fim de contas na montanha-russa que é a vida, o que iremos recordar quando chegarmos ao destino são os momentos de maior intensidade, de maior surpresa, de maior risco, e isso sucede com os nossos amigos, família, quando não estamos a gastar o tempo com planos. A mensagem é passada pelo elenco mais veterano, por isso escutemos a voz da experiência.


Antony Sousa
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