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365 Days(2020)

Há 29 dias | Drama, Romance, | 1h56min

de de Barbara Bialowas e Tomasz Mandes, com Michele Morrone, Anna Maria Sieklucka, Bronislaw Wroclawski, Magdalena Lamparska e Otar Saralidze


Há críticas mais difíceis que outras, ou porque o conteúdo é complexo de se explicar ou porque pouco tem para se explicar. É o caso de 365 dni – ou 365 Days, em inglês – que parece ter de tudo mas acaba por não ter muito, e o que tem é de uma qualidade duvidável. Difícil será terminar esta experiência e soltar um “gostei!”, mas bem, há quem goste de Fifty Shades of Grey (2015-2019).

Laura (Anna Maria Sieklucka) é uma diretora de vendas que vai a Sicília com o namorado Martin (Mateusz Lasowski) para tentar salvar a sua relação, quando é raptada pela máfia italiana, chefiada por Massimo (Michele Morrone). Massimo dá 365 dias a Laura para que ela se apaixone por ele, em cativeiro, sendo que se Laura tentar fugir tem garantida a morte dos seus pais.

E assim entramos numa premissa que nos mostra sequestro, manipulação, chantagem, machismo e crime, tentando disfarçar com um clima quente e sexual entre a vítima e o sequestrador. Laura acaba por ter que fazer o que é preciso para sobreviver e, até aí, a ideia era aceitável, mas acaba realmente por se apaixonar por Massimo.

Tenho que confessar que o production value do filme me surpreendeu, porque não esperava que um filme como este o tivesse tão alto. Mas, de resto, é um filme sem muito sentido com vários – VÁRIOS – longos minutos de sexo. É possivelmente o filme com cenas sexuais mais próximas de pornografia, sem realmente o ser. Uma vez que a qualidade do filme é duvidosa, dei por mim a tentar perceber como é que Michele e Anna fizeram tantas cenas tão explícitas sem realmente se estarem a envolver sexualmente. E, confesso, há uma ou outra que me deixou na séria dúvida.

Dizer que 365 Days tem falhas no argumento é ser-se simpático. Nunca percebemos qual é o objetivo do filme nem das suas personagens. Laura cedo deixa de tentar escapar, Massimo cedo deixa de se dedicar à sua ‘presa’ para embarcar em inúmeras viagens sem explicação, Olga (Magdalena Lamparska), a melhor amiga da protagonista, aceita facilmente toda a história. E toda esta bizarrice só é superada pelo facto dos pais de Laura aceitarem muito tranquilamente toda a situação.

É um filme que romantiza o sequestro e o abuso sexual, que desculpa as ações que a mulher faz para poder sobreviver, enquanto mostra que tudo é aceitável se o sequestrador for um latino de 1,90m, protetor, poderoso e rico. Li, algures, que há mulheres que fantasiam com estes temas e, não me querendo pronunciar sobre isso, duvido que alguma queira passar pelo que Laura passa.

Existem cenas sem qualquer significado narrativo, outras importantes que nunca são explicadas, enfim… É um filme pornográfico mas com mais alguma narrativa que o típico filme do canalizador.

Os únicos pontos positivos que daria, para além do production value, seria o facto de Michele e Anna terem alguma química em cena, mas tudo isso é esquecido porque continua com aquele pop asqueroso e barato nos ouvidos, uma vez que toda a banda sonora do filme é assim. Sejam cenas emocionais ou sexuais, algures está a tocar aquele pop que ninguém ouve.


Pedro Horta
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