Inscreve-te e tem vantagens!

Casablanca(1942)

Há 6 meses | Drama, Romance, Guerra, | 1h42min

de Michael Curtiz, com Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid e Claude Reins


Casablanca é facilmente um dos filmes americanos mais amados de sempre. Tendo a sua estreia em 1942, não foi um êxito esperado. Ninguém envolvido sabia que ia ser um sucesso tão grande, mas a verdade é que até hoje é popular, sobrevivendo através de gerações em todo o mundo.

De maneira simples, o enredo pode-se apresentar através de Rick (Humphrey Bogart), o protagonista. Um cínico dono de um bar em Casablanca durante a Segunda Guerra Mundial que, apesar da pressão das autoridades, nomeadamente do Capitão Renault (Claude Rains), se tornou um porto seguro para os refugiados à procura de passagens que os levarão à América. Um dia, o famoso rebelde Victor Laszlo (Paul Henreid) chega com a mulher Ilsa (Ingrid Bergman) que é, coincidentemente, o grande amor de Rick que outrora o abandonou.

E assim nasce todo um ramo de desafios, complicações e uma das maiores decisões cinematográficos, em que a escolha é entre o bem maior e o bem próprio.  Com tudo isto, agrega nos seus temas de intriga, coragem, sacrifício e amor tudo o que se pode querer num filme. Captura no ecrã a dor de amor perdido e o sentimento único dos grandes momentos da vida, aqueles que nunca esqueceremos, em que vemos a nossa vida mudar.

A atmosfera visual a preto e branco apenas enaltece esta sensação, evocando melancolia e nostalgia. Por outro lado, a cenografia foi um excelente complemento no que toca ao trazer à realidade a misturada daquela cidade. Diferentes culturas num só ponto, cheio de refugiados e oportunistas, corrupção e esperança.

Só com isto já dá para distinguir vários dos aspetos que perpetuam a intemporalidade de Casablanca. Outro destes é decididamente o diálogo. Ao contrário de grande parte do cinema antigo, não é rígido, mas inteligente e engraçado, numa combinação que proporcionou um conjunto de falas icónicas citadas por muitos.

Paralelamente, as interpretações estão no mesmo nível ao trocarem o exagero pela humanidade e o realismo. O elenco funciona bem a pares, com a química palpável de Bogart e Bergman na sua tensão romântica e a dinâmica interessante entre Bogart e Claude Rains. São estes últimos que também dão singularmente as atuações mais marcantes, se calhar devido à complexidade e interesse elevados das duas personagens em comparação ao resto, que inevitavelmente fica para trás. Justamente, Bergman continua a merecer crédito pelo seu papel, contudo não senti que se igualasse mesmo pela própria Ilsa não ser mais explorada por si só e não apenas pela relação que tem com os outros.

Michael Curtizfez, deste modo, um excelente trabalho na realização deste filme de guerra-longe-da-guerra, que não depende da ação, mas sim das próprias personagens. Todos os olhares e movimentos contribuem para a história e não há tempo perdido. O foco está onde deve estar e cada momento tem o seu valor, muitas vezes suportado pela banda sonora. A música tem assim um papel importante em várias cenas, que rapidamente se tornaram mais icónicas por se apoiarem ao som de, por exemplo, “As Time Goes By” e “La Marseillaise”.

Para todos os efeitos, Casablanca não seria o que é sem o seu fim tão distinto, caracterizado pela sua ambivalência. Por essa decisão, o que representa, e todos os seus temas que ainda são relevantes, permanece até o dia de hoje o clássico dos clássicos, melhor e mais marcante que muitas outras obras recentes. Há uma razão pela qual nenhuma das tentativas de refazer esta história foi bem-sucedida. Já temos aqui tudo o que precisamos e qualquer cópia cai em comparação.


Margarida Nabais
Outros críticos:
 Rafael Félix:   10
 Bernardo Freire:   10
 Alexandre Costa:   10
 Pedro Horta:   10