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É P´ra Amanhã (2020)

Há 25 dias | Documental, |

de De Teresa Carvalheira, Luís Costa, Edgar Rodrigues, Pedro Serra, Verónica Silva e Francesco Rocca


No dia 17 de maio, estreou no canal português SIC a mini série documental É P´ra Amanhã, composta por cinco episódios que se focam no tema da sustentabilidade ambiental. A série contou com o trabalho de Teresa Carvalheira (produção), Luís Costa (coordenação), Edgar Rodrigues (design), Pedro Serra (realização), Verónica Silva (comunicação) e Francesco Rocca (gestão). Todos os domingos, desde 17 de maio até 14 de junho de 2020, a SIC exibiu É P´ra Amanhã, cujos episódios exploravam uma vertente diferente cada semana, de acordo com as soluções que já estão a ser implementadas no país, na área da: alimentação, energia e mobilidade, economia, política e educação.

O projeto começou quando seis jovens se “zangaram” com todas as crises cada vez mais graves a nível ambiental e ecológico que afetam o planeta e podem originar efeitos graves crónicos na vida na Terra do futuro. Inspirando-se no documentário francês Demain (2015), partiram, assim, de uma iniciativa nobre (que apesar de ganhar cada vez mais atenção mundial, continua a ser um tema na corrida pela resolução mais rápida e pelo tratamento adequado pelos líderes mundiais), e a série destacou-se, sobretudo, por (1) ter sido realizada por jovens, (2) que lhe concederam um formato simples e de fácil entendimento, (3) em território nacional!

É importante que estes assuntos cheguem à maior parte da população para que as pessoas ganhem conhecimento sobre eles fácil e rapidamente, e nesse aspeto, o grupo esteve impecável na realização da série. E o facto de ter dado voz a professores, políticos, crianças, funcionários escolares, pais, agricultores, cozinheiros, empresários, para além de cientistas e investigadores, conferiu-lhe um formato original, abrangente, inclusivo e com maior número de perspetivas no que respeita à sustentabilidade ambiental e como esta deve ser disposta em cada uma das áreas da sociedade.

Desta forma, tudo o que se abordou ao longo dos episódios foi tratado com leveza, de modo sucinto e acessível a todos, em que a realização soube o que mostrar e falar ou não, e com testemunhos originais de todos os que participaram. Em cada episódio eram fornecidos dados estatísticos das componentes de cada vertente, como a quantidade de CO2 emitido em Portugal com cerca de 80% da sua mobilidade feita com carro individual.

A produção está muito dinâmica, com planos aéreos muito bem gravados (e encaixados com voice over dos vários participantes), projetando paisagens portuguesas coloridas e cidades movimentadas, principalmente, com música portuguesa a tocar como “pano de fundo”. Esta série foi não só uma promoção e um apelo aos cuidados ambientais como uma forma de visibilidade do nosso país.

O primeiro episódio, dia 17 de maio, estudou como a alimentação em Portugal tem ganho práticas sustentáveis, mais saudáveis e variadas: refeitórios escolares com mais refeições vegans, freguesias que só usam produtos locais, hortas biológicas no meio do Porto. Dia 24 de maio, abordando a energia e a mobilidade em Portugal, a série mostra como se privilegiam energias alternativas e existe a hipótese da mobilidade partilhada. O terceiro episódio focou-se na economia, e como é preciso combinar justiça laboral com sustentabilidade dos produtos. A 7 de junho, o episódio apoiou-se na área da política; promoveu-se um trabalho mútuo entre cidadãos e líderes dos governos, esclarecendo a importância do orçamento participativo e do exercício de uma democracia participativa, com a oportunidade e direito de termos um papel nas decisões sobre a saúde, educação, energia; por exemplo, ajudar para instalar painéis solares numa comunidade inteira. Por fim, 14 de junho, o último episódio da série mostrou como na educação, os jovens tem um desempenho cada vez mais ativo na forma como se deve proceder o ensino e como estão a emergir novos métodos que dão às crianças saberes disciplinares e conhecimentos sobre o mundo e sobre eles próprios, de modo a preparar futuros cidadãos confiantes e participativos. A infância é um tempo de suposta qualidade, o que inclui a educação escolar.

Os próprios produtores da série fizeram a sua parte e tiveram a atenção a questões ambientais quando viajavam pelo país na sua aventura; por exemplo, usaram transportes públicos sempre que podiam ou plantaram árvores ou contribuíram para a promoção de compras em segunda mão. Disposto no seu site online estão as diversas formas de como todos podemos contribuir para causas ecológicas através de pequenos passos e ações.

Este projeto provou, também, como devem ser dadas mais oportunidades aos jovens, neste caso portugueses, na área das artes, como fontes de talento artístico e trabalho cívico relevante.

Esta série documental apresenta as soluções em andamento e inspira para outras, por parte de todos, dando tempo de antena a pessoas que tomaram iniciativas e a especialistas de várias áreas. Articula-se entre os planos afastados (campestres e citadinos) e as entrevistas com a câmara próxima das pessoas; esta forma permitiu constituir uma metáfora daquilo que a mudança ambiental e climática é feita: parte de nós todos enquanto entidade coletiva, com ideias e soluções diferentes.

Salienta a urgência de um diálogo essencial entre cidadãos e entre políticas e cidadãos, com um propósito comum: o de deixar um planeta melhor para as gerações futuras, e de criar no presente indivíduos conscientes, criativos, eficientes e amigos do ambiente.

Perante um mundo cada vez mais digital, os atos humanos são os mais urgentes.  


Diana Neves
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