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Artemis Fowl(2020)

Há 3 meses | Aventura, Família, Fantasia, | 1h35min

de Kenneth Branagh, com Ferdia Shaw, Lara McDonnell, Josh Gad, Colin Farrell, Nonso Anozie e Judi Dench


Adaptação dos livros de Eoin Colfer, Artemis Fowl é um projeto que anda nas gavetas desde 2001. Recuperado pela Disney em 2013, o objetivo era ter estreado em agosto de 2019, após um primeiro trailer convincente. “Sem motivo nenhum”, foi adiado para maio de 2020, estreando na Disney+ durante a pandemia do Covid-19. Isso mostra três coisas: o estúdio não acreditava no seu filme; não acreditava numa possível franquia e não acreditava que pudesse fazer receita nas bilheteiras. Nunca pensei dizer isto na minha vida: AINDA BEM QUE NÃO SAIU NOS CINEMAS! Mas já lá vamos.

O que nos conta o filme?

A vida do jovem Artemis Fowl (Ferdia Shaw), um génio com apenas 12 anos, muda no dia em que o seu pai Artemis Fowl Sr. (Colin Farrell) é sequestrado por uma fada renegada nomeada Opal Koboi. Koboi propõe trocar a vida do seu pai por um artefacto chamado Aculos. É aí que Artemis descobre a linhagem da sua família e que as criaturas dos contos de fadas existem. Para resgatar o seu pai, o jovem terá de preparar um plano altamente sofisticado, no qual terá de capturar uma fada, neste caso, a capitã Holly Short (Lara McDonnell), para lhe trazerem o artefacto em questão.

Vamos com calma. Primeiro problema: é impossível ter empatia pelo protagonista. Por um miúdo com 12 anos, extremamente inteligente; arrogante; que vive na sua mansão à beira-mar; que não teme nada; não apresenta problemas morais; um arco narrativo; e por fim, que tem tanto carisma como uma ostra antes de ser degolada pelo Mr. Bean.

Segundo problema: todos os personagens são tão maus, que são postos de parte, para nos focarmos no enredo e no universo. Toda a narrativa está em torno dum MacGuffin chamado Aculos – citado todos os 5 min durante o filme, para que o espetador aceite que não há mais nada de superior.

Terceiro problema: os diálogos e os atores são todos, sem exceção nenhuma, péssimos. O protagonista tem menos tempo de antena que os personagens secundários, e todo o elenco se está, literalmente, nas tintas para isto.

Quarto problema: Josh Gad é INSUPORTÁVEL! Isto porque ele narra toda a história através de flashforwards a preto e branco – porque não havia mais formas de explicar um universo, sem ser através de voz off. ATÉ QUANDO O COLIN FARRELL ESTÁ NO SOFÁ A LER UMA HISTÓRIA AO FILHO TEMOS DIRETO A: “Artemis Fowl Sr. está a ler um livro ao seu filho”. Todo o universo subterrâneo das criaturas mágicas também é explicado em voz off. Odiei.

O clímax começa na hora de filme, para nos deixar com um epílogo interminável. Não sei o que se passou, 90% das imagens do primeiro trailer não estão nesta longa-metragem. Kenneth Branagh espalhou-se ao comprido tanto na sua realização, direção de atores ou simplesmente a fazer um filme. Os únicos pontos positivos são o guarda-roupa e alguns décors.

Artemis Fowl é uma anomalia que dá risadas nervosas, tanto o resultado é insignificante e parece ter sido escrito, realizado e editado por um aluno que queria trocar de curso.


Alexandre Costa
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