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Survive the Night(2020)

Há 4 meses | Ação, Thriller, | 1h29min

de Matt Eskandari, com Bruce Willis, Chad Michael Murray, Shea Buckner, Lydia Hull, Tyler Jon Olson e Riley Wolfe Rach


Sabem quando olham para um realizador e automaticamente o associam a um ator? É fácil olhar para Scorsese e pensar em De Niro ou DiCaprio, por exemplo, ou olhar para Nolan e pensar em Michael Caine ou Cillian Murphy, lá está, por exemplo. Aqui não é o caso, mas simplesmente porque eu não conhecia Matt Eskandari. Difícil é não encontrar, no entanto, um filme de Eskandari que não tenha Bruce Willis para lá enfiado.

Não me interpretem mal, ter um contacto como Willis sempre disposto a dar a cara é de aproveitar. Mas em Survive the Night ficamos mesmo só por aí. O filme apresenta-nos Rich (Chad Michael Murray), um médico que perdeu tudo devido a um erro que culminou na morte de um paciente que é forçado a voltar para a casa do seu pai, Frank (Bruce Willis), com a sua mulher Jan (Lydia Hull) e a sua filha Riley (Riley Wolfe Rach). Uma noite, a casa é invadida por dois irmãos: Jamie (Shea Buckner) e Mathias (Tylor Jon Olson) porque Matty, como é mais conhecido, fora atingido numa perna. O objetivo? Não haver matança, mas forçar Rich a salvar-lhe a vida. O problema? Jamie é demasiado impulsivo.

A verdade é que Survive the Night tem um ou outro momento que atinge a qualidade aceitável. Fora isso, é forçosamente difícil de assistir. Os primeiros minutos, ainda de dia, têm uma fotografia péssima, com tons sempre amarelados e baços que tornam toda a experiência pior ainda. Felizmente, as cenas noturnas estão aceitáveis e acompanham uma realização de Eskandari algo interessante.

Mas agora entramos num campo mais difícil. Qual é o objetivo de um filme? Fazer quem assiste acreditar no que está a decorrer, certo? Torna-se difícil em Survive the Night porque não há uma performance do elenco que seja aceitável, à exceção de Shea que terá que ser o MVP do filme, ainda que também esteja longe da perfeição.

Os diálogos são expositivos até para quem não está sequer a ouvir e estranhamente todas as personagens dizem os nomes de com quem estão a falar inúmeras vezes. Torna-se irreal. Eu não chamo a minha mãe pelo nome dela 35 vezes enquanto lhe digo que vou sair.

O argumento está repleto de buracos narrativos, más decisões e – pior que isso – decisões estúpidas. A certa altura, estamos fartos de estar cientes que não há rede para que não se possa ligar para a polícia, mas Jan acaba por eventualmente pegar no seu smartphone esmigalhado por uma espingarda e conseguir fazer um telefonema. Ou Frank que depois de andar fugido dos assaltantes por horas, perto do fim pensa em ter o seu ato de heroísmo e pegar num carro que tem no celeiro e atraí-los para fora. Carro que, ainda que sendo dele, teve que ser ligado por ligação direta.

Enfim, na minha mais sensata opinião, podem passar este filme à frente. Tem o seu entretenimento possível num filme da era atual de Bruce Willis mas como está 2020 é melhor não gastarem hora e meia aqui, não vão vocês precisar dela para outras coisas.


Pedro Horta
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