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Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga(2020)

Há um mês | Comédia, Música, | 2h4min

De David Dobkin com Will Ferrell, Rachel McAdams, Dan Stevens, Mikael Persbrandt e Pierce Brosnan


“Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga”, que estreou em julho de 2020, é um musical misturado com elementos de comédia, realizado por David Dobkin. E por muito que tentasse negar, o filme, com todas as suas falhas, tem um charme e um carisma irresistível, seja pela banda sonora, que foi brilhantemente orquestrada, “Ja Ja Ding Dong” vai ficar-vos presa na cabeça, seja pela mensagem de orgulho pessoal e nacional que o filme tenta promover.

O filme apresenta-nos Lars Erickssong (Will Ferrell) e Sigrit Ericksdottir (Rachel McAdams), ambos lutam pelo seu sonho, Lars quer vencer a eurovisão e Sigrit quer ajudar Lars a concretizar o seu sonho para poder ficar com ele no fim. Durante o filme seguimos o duo na sua aventura pela perseguição desses sonhos, e pelo caminho temos piadas que, ou funcionam, ou espalham-se por terra, acontecimentos que só podem ser explicados através de elfos mágicos, mas, no centro da sua narrativa, está uma boa moral com a qual todos nos conseguimos relacionar, enfrentar um mundo que não acredita nos nossos sonhos, e que afasta o que não compreende, de forma a encontrar um orgulho na pessoa que és, de onde vens, e aquilo em que acreditas.

Se aceitarmos todos os clichés e loucuras que são comuns em musicais, este filme funciona em muitas frentes. Com uma grande performance pela Rachel McAdams, que ao contrário de Will Ferrell consegue pegar no diálogo seco que lhe atribuíram e criar uma personagem que queremos ver vencer e que acerta as suas punchlines. Cenários e atuações dignas da própria eurovisão, com a participação de Salvador Sobral, vencedor da eurovisão em 2017 (“Amar pelos dois” aparece na banda sonora oficial do filme). O filme conta com participações da Conchita Wurst (ganhou a versão de 2014), Netta (ganhou a versão 2018) e outros ícones que vão deixar os fãs da eurovisão satisfeitos.

As músicas do filme pegam no comando e tornam-se o ponto mais forte do filme, em certos momentos, estava só ansioso para ouvir a próxima música, sendo a música final o climax emocionante da viagem que o filme nos levou. David Dobkin, teve o cuidado de representar toda uma panóplia de países, num mundo cinematograficamente colorido e excêntrico, típico da eurovisão.

Se observarem o filme com atenção denotam que o manto colorido colocado por cima da narrativa está cheio de momentos incoerentes, com uma diferença de idade entre os atores principais muito pouco credível, plot points que só nos fazem questionar o filme em si, dizer Demi Lovato é suficiente, e momentos constrangedores em que o Will Ferrell decide gozar com americanos, mas sendo que o Will Ferrell em si é americano o impacto da crítica não é o mesmo.

Tendo isto tudo em mente, não consegui não ser seduzido pelo filme. Num ano em que não houve eurovisão devido à pandemia, este filme veio saciar aqueles que ansiavam a edição de 2020 do evento. Aconselho mente aberta, aceitem as loucuras e magia do filme, de forma a poderem apreciar ao máximo a sua mensagem final. Quem diria que num filme do Will Ferrell, a melhor parte seria a banda sonora, e a pior parte seria o Will Ferrell.


Guilherme Moura
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