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Happiness Continues(2020)

Há 2 meses | Documentário, Música, | 1h44min

de Anthony Mandler, com Joe Jonas, Kevin Jonas, Nick Jonas, Sophie Turner, Priyanka Chopra e Danielle Jonas


Não começaria por dizer que em 2019 o mundo parou depois de Kevin, Joe e Nick Jonas anunciarem que The Jonas Brothers estavam de volta, mas certamente que a – minha – geração que os acompanhou através do Disney Channel deverá ter tido, no mínimo, uma curiosidadezinha para perceber se era, de facto, verdade ou se não passavam de fake news.

A verdade é que os irmãos reformaram a banda, estreando no dia o novo single Sucker que viria a tornar-se, numa questão de dias, a música de maior sucesso da banda, a nível de vendas. Em seguida anunciaram um documentário – Chasing Hapiness (2019) – que contaria a história dos Jonas desde bebés até aos dias de hoje, passando obviamente pela separação drástica em 2013.

O sucesso dos irmãos tem sido inegável ao longo dos anos e isso jamais lhes poderá ser retirado, seja como Jonas Brothers, nos projetos individuais ou como seres humanos. A grande questão que se punha era: Será que alguém se importará?

E é essa a frase que sai da boca de Kevin Jonas no início de Happiness Continues, o concert film da banda que explica o que se sucede depois do “ok, giro, voltámos, mas e agora?”. E eu queria, realmente, que o documentário respondesse a essa questão, mas não é bem isso que acontece.

Aqui, somos levados para os bastidores dos quase 100 concertos que os irmãos deram entre o anúncio do regresso até ao início de 2020, quando a digressão Happiness Begins terminou. Mas somos confrontados apenas com o que cada um gosta de fazer antes de cada concerto, o que importa para cada um deles e somos bombardeados com atuações de 80% das músicas presentes nestes concertos durante 2h.

Falta-lhe emoção, falta-lhe aquele feeling do saber realmente o que há por de trás das cortinas. Teria sido preferível ouvirmos se calhar metade das músicas e percebermos mais do que há no backstage. Isto porque o documentário, ainda que vendido como um concert film, é dito como trazendo momentos da banda depois do regresso, que incluiriam as tentativas dos irmãos a evitarem regressar às desavenças do passado, depois de um ano non-stop em viagem. Bem, temos um momentito disso nas duas horas.

Diria que o que mais me ficou na memória, além da oportunidade de ver partes dos seus concertos bem de perto, foram os aquecimentos de Joe antes dos concertos, ao lado da sua esposa Sophie Turner. É hilariante vê-lo a pedir-lhe uma chapada na cara e a atriz de Game of Thrones (2011-2019) a nem sequer hesitar.

A realização de Anthony Mandler incomodou-me na esmagadora maioria do tempo, para ser sincero. A primeira hora é fastidiosa precisamente porque Mandler insiste em entregar-nos atuações COMPLETAS de 3 ou 4 músicas seguidas com alguns momentos a negro pelo meio. Ainda que sendo um concert film, eu quero é ver o que leva ao concerto e ter direito a alguns momentos do mesmo, não é propriamente ouvir o álbum dos irmãos ali em 20 minutos.

Ainda assim, o carisma dos três e o facto de vermos o quão eles amam poder voltar a fazer isto juntos, chega para nos fazer desfrutar do documentário. Não tem metade do coração nem do groove de Chasing Happiness, mas sabe tão bem ver três irmãos adultos a cantarem músicas para as suas esposas, que foram escritas precisamente para elas.

O essencial aqui é ser uma nova jogada de marketing da banda, numa altura em que era suposto ter saído o novo álbum, não fosse a situação global atual, enquanto voltam a passar a mensagem de que é possível descobrir a bonança depois de todas as tempestades.


Pedro Horta
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