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Dark - 3ª Temporada (2020)

Há 12 dias | Crime, Drama, Mistério, |

de Baran bo Odar e Jantje Friese, com Louis Hofmann, Tamar Pelzig, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel e Maja Schöne


Antes de avançarem, aconselho vivamente a irem espreitar a crítica anterior que se foca nas duas primeiras temporadas (Dark 1ª e 2ª temporada). Inevitavelmente, terei de dar alguns SPOILERS, por isso, se ainda não viram a série, A VOSSA LEITURA ACABA AQUI!

Voltamos a Winden, a misteriosa cidade alemã onde toda a história decorre. Depois de muito martelar de cabeça do espetador, com um levantar constante de dúvidas e criação de teorias, o final da segunda temporada acaba com um cliffhanger e um indício de que existe outro mundo, outra realidade paralela. A pergunta não é quando, mas em que mundo. E, é a partir deste momento que a terceira temporada parte.

Inicialmente, fiquei um pouco duvidosa quanto a este final. Apesar de fazer sentido, quase que se sentiu como se fosse um escape fácil para o avançar da história. Lembro-me que a certo momento, o termo “forçado” passou várias vezes pela minha mente enquanto processava toda a informação. Felizmente, posso dizer que nada disso se verificou e deram-nos uma temporada ainda mais complexa do que poderíamos imaginar, mantendo sempre a qualidade a que estamos habituados.

Afirmo com toda a certeza de que esta última temporada é uma verdadeira obra de arte, em todos os aspetos. Não há um único momento de aborrecimento para o espetador, não há abertura para qualquer tipo de distrações, pois a série obriga-te a não perdermos qualquer pormenor, porque se acontecer, rapidamente perdemos o nosso raciocínio. Com um enredo completo, extremamente bem trabalhado, Baran bo Odar e Jantje Friese fizeram um trabalho extraordinário, inigualável, insuperável – e mais alguns adjetivos – com esta história. Deram-nos um final que não deixa pontas soltas, contando com uma abordagem a tantos pormenores que interligam tudo de uma maneira quase mágica. A meu ver, não poderia haver melhor conclusão para esta série.

Esta temporada foi um culminar de todos os arcos abertos nas temporadas anteriores. Com recurso à estrutura da primeira temporada, os primeiros episódios serviram para dar a conhecer a “nova” história, da nova realidade. Passada essa fase, há um avanço constante para com a narrativa, há uma narração explicativa de tudo, sempre acompanhada com uma complexidade que nos dá um nó no cérebro.

Um aspeto que para alguns pode ter feito confusão, para outros não, foi o “esquecimento” de algumas histórias que, no início, pareciam ter relevância, mas no fim, isso não se verificou. Falando especificamente no arco de Aleksander Tiedmann/Boris (Peter Benedict), que durante a segunda temporada teve grande enfoque, mas acabou por ser muito pouco abordada no final, mostrando assim a sua pouca relevância. Pormenores deste género, tanto podiam estar como não estar. O impacto seria exatamente o mesmo.

A nível técnico, a série manteve a mesma qualidade. Tudo muito semelhante ao que já conhecemos, mantendo assim um ambiente bastante próprio e familiar para o espetador. Sempre acompanhados de tons escuros, uma banda sonora pesada mas que eleva cada cena em que está inserida. Um aspeto que não poderia deixar de mencionar foi a maneira encontrada para distinguir as duas realidades apresentadas. Todos os cenários de uma realidade eram bastante semelhantes ao da outra realidade, só que encontravam-se espelhados. Desta forma foi muito mais fácil acompanhar tudo de uma maneira muito mais organizada. Chega a ser surreal o cuidado para com os pormenores, quer a nível de cenários como a escolha do elenco. Acho surpreendente tanto a qualidade de todo o cast, como as parecenças entre os atores que representam a mesma personagem em diferentes linhas temporais.

Resumidamente, para todos aqueles que gostam de ficção científica, tópicos como viagens no tempo, livre arbítrio, paradoxos, esta série é para vocês. Têm tudo isto e uma qualidade extraordinária, desde à realização, passando pelo belíssimo guião e acabando na excelente performance dos atores. Talvez, a melhor série produzida pela Netflix - até ao momento - e que apesar do reconhecimento que já está a ter, merece muito mais.

Fico com uma sensação agridoce, porque fico feliz pela série ter acabado como acabou, sendo fiel à visão dos criadores, mas ao mesmo tempo, triste porque a série acabou e nunca mais terei contacto com este universo incrível.

O início do fim e o fim do início.


Raquel Lopes
Outros críticos:
 Raquel Lopes:   9Abrir
 Alexandre Costa:   9