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An American Pickle(2020)

Há um mês | Comédia, | 1h28min

de Brandon Trost, com Seth Rogen, Sarah Snook, Molly Evensen, Eliot Glazer e Kalen Allen.



Existem inúmeros caminhos para se chegar à cadeira de realizador num set de filmagens, cada um desenha o seu. Brandon Trost fê-lo depois de 19 anos ao lado dessa cadeira, garantido que a visão do realizador fosse captada da melhor maneira. Sendo o diretor de fotografia de imensas obras, entre as quais The Disaster Artist (2017), Trost estreia-se numa produção mais a sério como realizador, depois de ter tido uma experiência em 2011, com The FP.

Trost, durante a sua carreira, trabalhou exaustivamente com Seth Rogen e, em An American Pickle não só o utiliza, como o faz….exato… exaustivamente. A história conta-nos a vida de Herschel Greenbaum (Seth Rogen), um pacato nativo de Slupsk que se muda com a mulher Sarah (Sarah Snook) para Brooklyn e que trabalha, em 1919, numa fábrica de conserva de pickles, até ao dia em que cai dentro de um dos contentores, é fechado e por ali fica durante 100 anos. Herschel acorda da conserva em 2019, sem família, num mundo futurístico e tenta perceber como viver a partir dali. Eventualmente, encontra o seu bisneto Ben Greenbaum (Seth Rogen) e a relação entre os dois é, no mínimo, peculiar.

Sempre com tom de comédia, An American Pickle tenta-se sempre desculpar com o género pelo facto de não ter ideia do que quer fazer com a narrativa. Não há um fio condutor, há simplesmente uma ideia que se arrasta durante 88 minutos. Fez-me imensa confusão, ainda que para um filme de comédia absurda, que Herschel tenha aceitado muito rapidamente que vive, agora, um século à frente. Temos as típicas cenas de “o que é isto?” quando Herschel vê um carro ou percebe que existe uma Alexa num apartamento, mas fora isso, é completamente banal viver 100 depois do suposto.

O filme tem alguns pontos positivos, como por exemplo as várias críticas que faz à sociedade atual, sobretudo a norte-americana, sobre a velocidade com que se vivem os momentos, sobre o quão menosprezam as suas raízes ou, até, pelo facto de usarem e abusarem de estagiários para prosperar os seus negócios. Mas em suma, não passa de uma mixórdia de ideias que poderiam ter alguma coisa a dizer, mas que não passam disso mesmo.

Seth Rogen é um bom ator, nestes géneros, mas aqui, ainda que os efeitos visuais estejam bastante agradáveis, não vemos um bisneto com o seu bisavô, vemos dois Seth Rogen em tela, simultaneamente. A diferença é que um tem uma barba pré-histórica e outro não a tem.

Não acho que seja um filme terrível, ainda que, para mim, não seja um filme positivo. Tem boas ideias, mas perde-se em si próprio, tentando-se desculpar com o facto de ser do género de comédia e rezando para que a imagem de Rogen venda o filme.


Pedro Horta
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