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Surdina(2020)

Há um mês | Comédia, | 1h19min

de Rodrigo Areias, com António Durães, Ângela Marques, Ana Bustorff


Surdina é um filme realizado em 2019 por Rodrigo Areias, que terá a sua estreia em 2020. Repleto de um charme português carateristicamente antigo, que tinha tudo para ser um bom filme e ser considerado um must-watch, mas devido a problemas narrativos e um final desapontante, fica aquém da fasquia que coloca no início.

Isaque (António Durães) é um homem idoso de Guimarães que vive de forma rotineira após perder a sua mulher, a sua realidade é destruída quando pessoas da cidade veem a sua mulher a passear com outro homem.

Rodrigo Areias consegue representar, de forma cómica e animada, a vida pacata de um homem reformado no norte de Portugal, uma realidade que muitas vezes nos é apresentada de forma pesada e de forma negativa. O guião é uma lufada de ar fresco, apesar de ter as personagens clássicas, como as bilhardeiras do bairro, este consegue criar ambiente com o qual nos conseguimos relacionar. Com piadas subtis que provêm do dia-a-dia e da interação entre as personagens, conta também com boas performances por parte de todo o elenco. A cor é outro destaque do filme, com especial atenção a este aspeto, temos um produto final coeso e que acrescenta à narrativa.

Por muito forte que estes pontos sejam, o filme apresenta falhas críticas, começando pelo som, havendo falas que não se percebem devido à maneira como este foi misturado. Temos cenas demasiado longas, que poderiam ser cortadas previamente, sem perder qualquer tipo de impacto narrativo. E uma história carente, de consequências, de qualquer tipo de impacto, com uma premissa simples que se deixa ficar pela simplicidade.

O fim retira todo o significado à história desta personagem, parece que o filme decide cortar a meio. Não vemos qualquer tipo de consequências das escolhas tomadas por Isaque, sejam estas consequências negativas ou positivas, o filme acaba antes de haver payoff de toda a narrativa. Este é um ponto fulcral que impede o filme de ser realmente impactante.

Começou com a fasquia elevada, mas não conseguiu mantê-la até ao fim. Com tantos pontos a favor, é, acima de tudo, desapontante o desenlace desta narrativa. Muitos dizem que o importante é a viagem, e não é uma má viagem, mas quando o destino final é isto, sabe a pouco. 


Guilherme Moura
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