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Fantasy Island(2020)

Há 3 meses | Aventura, Fantasia, Horror, | 1h49min

de Jeff Wadlow, com Michael Peña, Maggie Q, Lucy Hale, Austin Stowell, Jimmy O. Yang, Portia Doubleday, Ryan Hansen, Michael Rooker and Kim Coates


Depois do ano que foi 2019, a nível cinematográfico, ninguém esperava que 2020 nos traria esta pausa interminável no que toca às grandes estreias que se podem esperar nesta fase inicial do ano civil. Ainda assim, há filmes que vão conseguindo estrear e/ou acabam por chegar a nossa casa via streaming, nas mais diversas plataformas.

E foi com Fantasy Island que eu decidi gastar 2 horas da minha quarentena. Realizado e produzido por Jeff Wadlow, que em 2018 nos trouxe o fantástico (gozo, ok?) Truth or Dare, o filme apresenta-nos a uma ilha no meio de nenhures que tem a fama de possibilitar fantasias a quem lá se torna hóspede de Roarke (Michael Peña). E assim, conhecemos Gwen (Maggie Q), Melanie (Lucy Hale), Patrick (Austin Stowell), Brax (Jimmy O. Yang) e J.D. (Ryan Hansen), o grupo de desconhecidos que ganhou o concurso para poder visitar a ilha.

Pouco mais vos quero dizer sobre o plot base desta longa-metragem, nem tanto porque vos posso dar spoiler, mas porque é fastidioso demais até de explicar, de tão incongruente que é. Mesmo sendo produzido pelo mesmo produtor que Get Out (2017), por exemplo, Fantasy Island é daqueles filmes que não engana a partir do primeiro segundo de duração. Sabem aquele look típico que vocês olham e já sabem ao que vão? Bem, é isso. Se eu fosse o Rafael Félix, provavelmente estaria a dizer-vos que teria, nessa altura, começado a procurar um garfo para espetar nos meus olhos.

O único ponto positivo que consigo encontrar aqui, e de dar algum benefício, é o facto de o argumento ter noção de uma das regras base de guionismo que implica plantar uma ideia nos primórdios do filme, para depois vir colher os frutos mais à frente, de maneira a que as soluções não pareçam todas caídas do céu. Mas é só isso, realmente. E muitas das vezes, fica só a intenção. Porque, de resto, há um total de nada para aproveitar.

Há tanta pergunta que fica por responder que a certa altura nós nem nos damos já ao trabalho de perguntar mais. Já aceitamos que estamos a ver porque sim. Há certamente mais perguntas por responder aqui, que a uma criança que pergunta como nos reproduzimos depois de não acreditar na lengalenga das cegonhas.

A edição é das coisas mais arcaicas que vi. A primeira vez que decidi perceber a quanto da duração do filme ia, fui presenteado com uns belos “22 minutos de 109”. Arrasta-se por tudo o que é sítio e chega a ser constrangedor olhar para as personagens, está tudo à espera do “CORTAAAA!”. E mesmo tendo Michael Peña ou Michael Rooker, não me lembro de uma performance acima do chamado cringe. E depois não querem que hajam críticos daqui a falar em baldes de ácido sulfúrico.

Fantasy Island é uma confusão autêntica, faz zero sentido, mesmo que estejamos a falar de um filme que aborda o tema ‘fantasia’. Como vos disse, decidi gastar 2 horas da minha quarentena nisto, mas mesmo em lockdown, conseguiria pensar em, pelo menos, 100 outras coisas para se fazer neste espaço de tempo que seriam muito mais agradáveis.


Pedro Horta
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