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The Legion(2020)

Há 2 meses | Ação, Aventura, História, | 1h36min

de Jose Magan, com Lee Partridge, Mickey Rourke, Joaquim de Almeida, Vladimir Kulich e Bai Ling

 

O produtor Jose Magan estreia-se no papel de realizador com The Legion, um filme de aventura inspirado em factos históricos da antiguidade clássica. Infelizmente, acaba por falhar em tudo o que o género promete e consegue até mesmo desiludir quem não tinha expectativas.

A premissa centra-se à volta de Noreno (Lee Partridge), um soldado metade romano conhecido pela sua resistência física, encarregue de uma missão quase impossível. Para salvar a sua legião moribunda e encurralada durante a invasão de Pártia, este terá de enfrentar as montanhas da Arménia e todos os seus perigos para entregar uma mensagem de socorro ao general Corbula (Mickey Rourke).

Visto assim, a história parece que se assemelha à de 1917 (2019). Isto é, uma versão passada uns quantos séculos antes e, escusado dizer, muito pior que a obra de Sam Mendes. Aliás, este chega a ser um caso em que, de tantos elementos que compõem um filme, estou a ter dificuldade em lembrar-me de algo que possa confiantemente elogiar. No máximo, reconheço que a cinematografia proporciona uns escassos momentos bons, ainda que fracasse em manter essa qualidade consistente.

Em teoria, esperamos uma aventura, uma viagem épica de nos deixar com o coração aos saltos e a torcer pelo protagonista que tem tudo a perder. Na prática, deparamo-nos com longas cenas de Noreno a correr, sobrepostas por um voiceover dos seus pensamentos que nada acrescentam à personagem ou, alternativamente, por uma música de rock melódica. Isto parece encher quase um terço da dolorosa hora e meia de duração e, por muita pena minha, o resto também não é muito melhor.

Qualquer entusiasmo que as sequências de ação poderiam acrescentar perde-se quando se torna óbvio que o realizador não tem a perícia necessária para as filmar ou a edição revela falhas de continuidade. Adicionalmente, o diálogo é tão rígido e pouco natural que não facilita o trabalho dos atores, que por si só também não são muito qualificados. Lee Partridge não possui o carisma necessário para manter a narrativa interessante e Mickey Rourke parece deliberadamente querer fazer com que o mundo se esqueça que foi nomeado para um Óscar, por The Wrestler (2008).

O mais impressionante é que, com tantos perigos que Noreno encontra, The Legion mantém-se, acima de tudo, muito aborrecido. Para seu detrimento, não passa a barreira para o “tão mau que é bom”, porque assim no mínimo seria divertido. O mais próximo a isto que chega está presente na caracterização do general Corbula (Mickey Rourke), que não só usa uma pala, como também pestanas falsas e uma manicure francesa. Se foi de propósito ou apenas falta de esforço não sei, mas eu estar prestes a elogiar o ridículo apenas por ser engraçado diz muito sobre o filme em si. 


Margarida Nabais
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