Inscreve-te e tem vantagens!

Trolls World Tour(2020)

Há 5 meses | Animação, Aventura, Comédia, | 1h31min

de Walt Dohrn e David P. Smith, com Anna Kendrick, Justin Timberlake, Rachel Bloom, James Corden e Ron Funches


Ao longo de vários anos, a DreamWorks já nos presenteou com grandes animações como os filmes pertencentes ao franchise Shrek (2001-2010) ou a trilogia How to Train Your Dragon (2010-2019). Para celebrar o seu 25º aniversário, a produtora decide lançar Trolls World Tour, sequela do filme de 2016 Trolls (baseado nos bonecos de plástico com cabelos felpudos criados por Thomas Dam).

Devido à pandemia que assola o mundo em 2020, Trolls World Tour estreou directamente em VOD (video on demand) em várias plataformas, no mesmo dia em que iria estrear nos cinemas. Se estão enclausurados em casa e vão ver este filme com os mais pequenos sem terem visto a primeira instalação, não se preocupem, o filme faz o favor de resumir o primeiro na sua introdução. Aquilo que se segue também não requer muita atenção da vossa parte, mas exige muita paciência e muito virar de olhos.

Os nossos amigos trolls, que cantam, abraçam-se e vomitam arcos-íris de três em três minutos, estão de volta para uma nova aventura. Poppy (Anna Kendrick), Branch (Justin Timberlake) e o resto do seu gang, descobrem que não estão sozinhos e que para além da sua comunidade que gosta de música pop, existem outras cinco tribos com gostos totalmente diferentes: Techno, Funk, Clássica, Country e Hard Rock, esta última liderada pela Rainha Barb (Rachel Bloom), que pretende unir todas essas tribos através do Rock. Mas não no bom sentido.

Cada uma destas comunidades tem uma corda (de instrumento) que representa os tipos de música associados ao seu nome. Assim, Barb está numa tour pelo mundo para coleccionar as seis cordas e finalmente tocar um acorde poderoso que irá transformar todos os trolls em amantes de Rock e abolir todos os outros géneros de música (Thanos, és tu???).

I'm gonna destroy all music, EXCEPT FOR ROCK!

Há tanta coisa errada com Trolls World Tour que nem sei bem por onde começar. A forma como o filme representa os géneros musicais (qualquer um deles) é bastante redutora e cheia de estereótipos. Mas o facto de os vilões serem aqueles que se vestem de preto, que têm cabelos mais arrojados e ouvem rock, é aquilo que mais me faz comichão. Fiquei seriamente constrangida com frases como “Quem quer fazer tatuagens em todo o lado excepto na cara, no caso de precisarmos de arranjar emprego?” – Sim isto é uma frase dita por um troll.

Parece um pouco exagerada esta reacção porque podem pensar que este filme não é para ser levado a sério, por ser uma animação para crianças. Mas as crianças começam a moldar a sua personalidade e a adquirir valores desde cedo, e certamente não é esta a mensagem que lhes queremos ensinar, certo?

O argumento não salva todas as burrices acima descritas porque nem sequer está preocupado em fazer o mínimo sentido. Como não sabiam o que fazer com o filme injectam-nos com covers de músicas, umas atrás das outras, muitas vezes sem sequer terem propósito no desenrolar da narrativa. O ritmo frenético, as cores berrantes e a quantidade de novos trolls são uma distracção constante, que não dão espaço para respirar nem para apresentar uma história consistente.

O voice acting é decente e claro que a animação está extremamente bem feita, mas não consigo ultrapassar o facto de praticamente não haver uma linha narrativa e da personagem principal Poppy tomar péssimas decisões frequentemente e ser a coisinha mais irritante à face da Terra. A mensagem final tenta redimir a absurdidade de todo o filme com o factor emocional, mas não é merecido. Uma coisa podem ter a certeza, os pequenos vão ficar presos ao ecrã com tanta explosão de glitter que lhes é atirada aos olhos.


Sara Ló
Outros críticos:
Nenhum autor votou nesta crítica.