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The Neighbors' Window(2019)

Há 19 dias | Curta, Drama, | 0h20min

de Marshall Curry, com Maria Dizzia, Greg Keller, Juliana Canfield


The Neighbors´ Window é uma curta-metragem de 2019, realizada por Marshall Curry (A Night At The Garden; Street Fight) e com o argumento do mesmo. O enredo baseia-se numa mulher, Alli (Maria Dizzia), casada e já com três filhos pequenos e irrequietos, que ganha um fascínio pelo quotidiano do casal com os seus vinte anos que se muda para um apartamento do outro lado da rua e que faz frente com o de Alli. Alli e o marido (Greg Keller) constroem a sua vida à volta dos filhos, que precisam de atenção e de cuidados, e dos empregos que lhes acrescentam trabalho e cansaço. Desta forma, a atmosfera matrimonial e paternal que envolve o seu apartamento leva-os a fixar-se no casal jovem, com rotina sexual, liberdade e festa que os encanta apenas a uns metros de distância para onde têm uma vista privilegiada (chega até a ser ridículo usarem uns binóculos para decifrarem cada pormenor das ações que ocorrem na janela em frente).

A janela do apartamento da frente incorpora-se como um real ecrã, que transmite aquilo que é uma espécie de telenovela que entretém Alli enquanto cozinha ou amamenta às três da manhã.

À primeira instância, o ponto fulcral desta curta (uma mulher fascinada com a vida de outro casal e que os observa às escondidas) lembrou-me o filme By The Sea (2015), protagonizado por Brad Pitt e Angelina Jolie (e realizado por esta) enquanto ainda eram um casal e que despenharam o papel, no filme, precisamente de um casal. Mas um casal às portas do divórcio, que decide ir de férias para França, e no hotel, através de uma frecha da parede velha, começam a observar, obcessivamente, um casal do quarto ao lado enquanto têm relações sexuais. Ora, este fascínio por um casal em lua-de-mel, com a vida pela frente, com espírito livre e libido desinibido é precisamente aquilo que o casal de Pitt e Jolie (Roland e Vanessa, no filme) não têm no momento. Foi nesse aspeto que esta curta se relacionou com a obra descrita, por manifestar o desejo inconsciente de Alli de ter o que o casal jovem tinha! Contudo, a curta acabou por me surpreender e ganhou até mais brio e interesse por se ter chegado a um ponto que dá uma volta de 360 graus no decurso da história, e que por um lado nos faz pensar «jogada típica neste tipo de assunto», mas, por outro, obriga-nos a reconhecer “muito bem metido”.

A estética do filme é muito simples, mas muito bonita e colorida! Os planos vão alternando entre o interior desarrumado do apartamento e o choro dos bebés, e a tranquilidade de uma cidade movimentada e saudável, em contraste com a casa do casal. 


Diana Neves
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