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The Lake House(2006)

Há 6 meses | Drama, Fantasia, Romance, | 1h39min

De Alejandro Agresti, com Keanu Reeves, Sandra Bullock, Christopher Plummer, Ebon Moss-Bachrach e Dylan Walsh


Tentar trabalhar a lógica dos filmes que envolvem viagens no tempo com recurso a elipses pode ser uma verdadeira dor de cabeça. Muitas vezes não vale a pena sequer tentar. Então se os protagonistas são Keanu Reeves e Sandra Bullock, está claro que a história vai apelar mais à emoção do que propriamente ao segmento racional. Dito isto, se The Lake House não prima pelo intelecto, muito menos oferece qualquer tipo de relação comovente. Procura oferecer um romance embrulhado numa narrativa de ficção científica enquanto medita sobre solidão, mas não sucede em nenhuma das frentes.

A realização é de Alejandro Agresti e o argumento foi adaptado do filme sul-coreano Siworae (2000) por David Auburn. O remake, que exige uma grande suspensão da descrença, conta a história de dois amantes que comunicam através do tempo. Recém-solteira, Kate (Bullock) deixa de vez a casa do lago à qual o título faz referência. De partida, coloca uma carta na caixa de correio para o novo inquilino. Entra em cena o arquiteto Alex (Reeves), que após encontrar a carta percebe que algo não está certo. Ele vive em 2004 e ela em 2006. Os dois começam a trocar cartas fervorosas, tendo como ponto comum a misteriosa caixa de correio. Até que acontece algo completamente inesperado às almas solitárias, algo revolucionário: Apaixonam-se.

Para efeitos de conveniência, nenhuma das personagens, quer as principais como as secundárias, questiona o sentido desta ocorrência. "É um filme, deixa lá isso", podem responder-me. Mas é altamente incongruente que dois adultos instruídos aceitem que conseguem desafiar as dimensões do tempo e do espaço sem verbalizar uns palavrões ou pelo menos levar as mãos à cabeça.

Até podem considerar que isto é uma minúcia e que não afeta assim tanto a experiência, visto que estamos claramente no domínio da ficção. Vamos lá então mandar a casa do lago abaixo. A narrativa principal acompanha a relação à distância dos protagonistas nas suas tentativas de manipular as circunstâncias. Ultrapassando a questão das improbabilidades, coincidências e do cliché do romance pré-destinado, a relação em si nunca cola porque as personagens em si não são de todo cativantes.

Aqui entra outra problemática: Os subenredos que incorporam The Lake House não são apenas fúteis como também não levantam o véu das suas personalidades. O subenredo de Kate procura revelar mais da sua vida amorosa assim como estabelecer o trabalho como a sua preocupação central. Por outro lado, Alex tentar reconectar-se com o seu pai, Simon (Christopher Plummer), cuja amargura e frieza foram barreiras que durante muitos anos os têm mantido afastados. Sem grande fundamento no esquema geral da história, o enredo e os subenredos compõe o tempo do filme sem grande relação aparente. O que culmina em jornadas desconectadas, desinteressantes e tão desinspiradas que o melodrama soa mais ridículo que qualquer outro adjetivo.

Não vejo The Lake House agradar à mais irrequieta fã de The Notebook (2004), tal não é o aborrecimento que provoca. É um filme mais ou menos curto, o que acaba por jogar a seu favor. Assim como as interpretações, apesar de longe das melhores das suas carreiras, não são assim tão embaraçosas como podiam ter sido. Isto porque o filme é tão incapaz de brincar com o fator extraordinário da sua premissa que tenho de tirar o chapéu a Keanu Reeves e Sandra Bullock por conseguirem participar de cara tão direita.


Bernardo Freire
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