Inscreve-te e tem vantagens!

Westworld - 3ª Temporada(2020)

Há 2 meses | Drama, Mistério, Sci-Fi, |

de Lisa Joy e Jonathan Nolan, com Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Aaron Paul, Tessa Thompson, Vincent Cassel, Ed Harris e Luke Hemsworth


Após uma primeira temporada (2016) magistral, uma pura obra de arte de ficção científica recheada por um belo puzzle complexo e uma segunda temporada (2018) que abordava várias timelines diferentes, sendo até, demasiada complexa para muitos fãs. Os criadores Lisa Joy e Jonathan Nolan prometeram que a terceira temporada seria mais linear, menos complexa e completamente diferente. Assim chegou. O que valem estes 8 novos episódios de Westworld?

O que nos conta esta terceira temporada? (ATENÇÃO, CONTÉM SPOILERS DA 1ª E 2ª TEMPORADA).

Dolores (Evan Rachel Wood) libertou-se definitivamente do parque Westworld. Destinada a atacar o “mundo real” com a intenção de controlar a humanidade, Dolores identifica rapidamente o seu novo inimigo: Incite, uma rival multinacional de Delos (proprietária de Westworld), que desenvolveu uma inteligência artificial que gera e controla a vida de cada humano. Esta inteligência, nomeada Rehoboam, um super-computador criado pelo chefe de Incite, Enguerrand Serac (Vincent Cassel), tem o dom de pré-determinar todos os destinos individuais de cada membro da população mundial, de modo a eliminar elementos singulares que possam prejudicar o futuro da humanidade. No seu percurso, Dolores conhece Caleb Nichols (Aaron Paul), um ex-soldado que se tornou um trabalhador de construção civil e que pode ser determinante nesta nova luta.

A ideia principal desta nova temporada é um paralelo gigante às duas anteriores: colocar os humanos na mesma posição que os hosts. A humanidade manipulada, controlada e sem livre-arbítrio por algo maior / os hosts prisioneiros em ciclos narrativos para o prazer dos visitantes do parque Westworld. É uma excelente comparação.

Como prometido, Nolan e Joy entregam-nos uma narrativa muito mais linear. O primeiro episódio apresenta-nos todas as bases da melhor das formas. Ao introduzir maior parte dos futuros conflitos, somos mergulhados no coração do enredo com muita facilidade. Os mistérios, os puzzles e as paisagens de estilo western não estão mais no centro desta história. Agora somos bombardeados num futuro distópico a la Blade Runner (1982), onde o livre-arbítrio e a ação são o centro de tudo.

As novas personagens são interessantes. Caleb ganha muito tempo de antena, e toda esta história vai avançar consoante ele se percebe o que se está a passar. É ótimo rever Aaron Paul numa série tão ambiciosa. O seu talento faz-se logo sentir e a sua química com Evan Rachel Wood é espetacular. Serrac, “o antagonista” – porque Westworld é mais numa de “escolher um lado”, do que propriamente uma história de maus e bons – é interessante. Demonstra inteligência, fala com muitas metáforas e parece estar sempre um passo à frente de Dolores.

Agora, se esta terceira temporada tem defeitos – e plot twist, sim tem! É no desenvolvimento narrativo das outras personagens que tanto amamos. Bernard (Jeffrey Wright) tem tempo de antena, mas é muito pouco utilizado. Não tem a devida importância em relação às temporadas anteriores. Continua carismático, tem provavelmente a cena mais dramática de toda a temporada e será extremamente importante na continuidade desta história. William (Ed Harris) sofre um pouco do mesmo, não tem muito impacto nesta terceira temporada, não aparece muito e o seu arco narrativo não é espetacular – o próprio Ed Harris queixou-se em várias entrevistas sobre a sua personagem. Mas é com Maeve (Tandie Newton) que mais fiquei chateado. Maeve era a grande revelação da segunda temporada e aqui, leva literalmente toda a temporada a fazer escolhas que não encaixam com a personagem. Também terá a devida importância na próxima temporada.

Evan Rachel Wood (pela qual é impossível não se apaixonar) carrega toda a temporada nas suas costas. A belíssima Dolores ganha em força, inteligência e todas as coreografias de ação estão milimetricamente trabalhadas. Charlotte Hale (Tessa Thompson) é outra revelação destes 8 episódios. Tem motivações e um arco narrativo impressionante.

Quero salientar a realização de cada um dos episódios, o mundo distópico muito realista: desde as armas futuristas (o sniper + drone - genial), os veículos, os edifícios e mesmo as várias aplicações de trabalho. Como já referi nas minhas críticas anteriores: Westworld é cinema puro. A realização, a fotografia, o elenco, o CGI e um mundo extremamente maravilhoso.

Para concluir, esta nova temporada de Westworld é diferente e ousada. É sempre bom poder renovar o seu conceito sem cair por completo. O público parece ter gostado deste aspeto mais linear, pois as audiências subiram. É a temporada menos interessante das 3 por ter um aspeto de transição, e os últimos dois episódios ficaram um pouco aquém da qualidade habitual. Contudo, afirma-se como numa das melhores séries do século XXI. 


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   10Abrir
 Alexandre Costa:   9Abrir
 Sara Ló:   9
 Margarida Nabais:   10
 Filipe Lourenço:   8
 Raquel Lopes:   9
 Rafael Félix:   10