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The Wretched(2020)

Há 2 meses | Horror, | 1h35min

De Brett Pierce e Drew T. Pierce, com John Paul-Howard, Piper Curda, Jamison Jones e Zarah Mahler


Os irmãos-realizadores Brett e Drew T. Pierce lançam com The Wretched a sua segunda longa-metragem, oito anos após a sua estreia com a comédia de terror zombie Deadheads (2011). Esta mais recente obra segue uma tangente mais séria, tirando inspiração a The Thing (1982), Rear Window (1954) e outros clássicos do género.

A história passa-se numa pequena cidade, onde o adolescente Ben (John Paul-Howard) chega para passar as férias com o pai (Jamison Jones) depois de uns tempos de rebeldia. Aqui, rapidamente começa uma amizade com Mal (Piper Curda), mas o que parecia vir a ser um verão calmo muda de direção quando o jovem repara nos comportamentos estranhos da vizinha (Zarah Mahler). Ao tentar resolver este mistério, torna-se num obstáculo para a bruxa de mais de mil anos que habita o corpo da senhora.

Começo por apontar que este filme tem muitos aspetos interessantes, nomeadamente a criatura que ocupa uma posição central no enredo. Em vez de pegarem no conceito mais comum de bruxa, os irmãos Pierce viraram-se para o lado mitológico e menos humano, de um monstro que se alimenta dos esquecidos. Mais precisamente, dos que ela faz com que a família esqueça, o que constitui um medo real para muitos e, portanto, uma ideia intrigante.

É o suficiente para nos agarramos à narrativa e se há algo a indicar como positivo em The Wretched¸ é que nunca perde este carácter cativante. Claro que existe uma curiosidade mórbida em saber se vai acabar bem ou mal que é inerente ao género, mas mais significativamente o que se destaca é o ritmo acelerado a que tudo decorre. Mesmo assim, é algo que não vem também sem os seus defeitos, visto que por vezes se confunde com simples desleixo ao apressar a justificação de alguns eventos somente para avançar para a próxima cena.

E é neste contexto que surge a maior falha da obra, na sequência de acontecimentos propriamente dita. Está tudo coberto num véu atraente, mas que infelizmente tem a sua base na falta de subtilidade. Isto aplica-se tanto à óbvia atenção a certas coisas que não precisavam de ser apontadas tão abertamente, quanto à já mencionada ausência de explicação ou plausibilidade noutros momentos. Aqui, aplicam-se maioritariamente os plot twists, agradáveis em teoria, mas que acabam por não fazer sentido sem o tempo ou foco necessários para se estabelecerem.

Não é que seja um filme que tente ser muito sofisticado, nem que precise de o ser, mas são apontamentos que fazem falta para uma visão concisa de tudo. Além disto, todas as cenas mais viradas para a familiarização das personagens, para nos relacionarmos com estas enquanto as conhecemos, caem para o campo da falta da originalidade. A angústia adolescente, a relação de Ben com o pai e tudo o resto é apresentado através de situações que sinto que já vi mil e uma vezes antes e, por isso, se tornaram genéricas. Talvez por isso também tenha considerado as atuações do elenco um tanto esquecíveis.

Por fim, não posso deixar de mencionar os esforços a nível técnico, que surpreendentemente foram dos elementos mais fortes. A cinematografia e os efeitos, tanto visuais quanto especiais, complementados com o som deram à luz uma ótima caracterização da bruxa e um ambiente sinistro que alternativamente estaria em falta. Portanto, mesmo que não haja nenhuma parte realmente assustadora, estabelece um tom suficientemente distintivo para se suportar.

Acabo por ficar numa relação amor-ódio com The Wretched. Apesar de ter ideias interessantes e componentes fortes, são qualidades que se perdem no meio da execução defeituosa. Se alguém me tivesse contado a história do filme por alto, provavelmente ia gostar, mas vendo a totalidade é impossível ignorar o que falta ser trabalhado.


Margarida Nabais
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