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Dangerous Lies(2020)

Há 2 meses | Drama, Mistério, Thriller, | 1h36min

de Michael M. Scott, com Camila Mendes, Jessie T. Usher, Elliot Gould, Cam Gigandet, Sasha Alexander e Jamie Chung


Das inúmeras produções originais que a Netflix tem lançado nos últimos anos, uma das mais recentes é o thriller Dangerous Lies. Protagonizado por Camila Mendes (de Riverdale - 2017) e Jessie T. Usher (de The Boys - 2019), é um filme com uma premissa cativante, mas que infelizmente não passa disso.

No cerne do drama temos um jovem casal a passar por dificuldades financeiras, a tentar de tudo para pagar as contas. Meses após terem sobrevivido a um trágico assalto num restaurante onde Katie (Camila Mendes) trabalhava, que o seu marido Adam (Jessie T. Usher) corajosamente parou, esta encontra-se já instalada num novo emprego a cuidar do idoso Leonard (Elliot Gould). Contudo, quando este subitamente morre e nomeia Katie como a sua única herdeira, o casal envolve-se numa teia de mistérios, ganância e mentiras.

Como já referi, até é uma premissa cativante. Não esperava nada de extraordinário, de certeza, mas pelo menos um guilty pleasure dos mais básicos, algo simples para passar o tempo. No entanto, nem isso cumpriu e passa a linha para o absurdo. Tem um ritmo inconsistente, culminando no fim, em que tenta enfiar tudo o que é revelação no espaço de meia hora.

Isto é, se o que é descoberto pode mesmo ser chamado “revelação”, porque o mais surpreendente é a falta de inteligência ou do mínimo senso comum por parte das personagens. Estas, por sua vez, independentemente do papel que ocuparam na história, também nunca me chegaram a prender ao ecrã. Portanto, do início ao fim, não houve nada nem ninguém por quem realmente estivesse a torcer.  

Apesar de nada disto ser culpa dos atores, as suas interpretações também ficaram pelo aceitável. Não é que tenham sido propriamente más, pois é um elenco com até alguma experiência, mas falharam a elevar o enredo a outro nível ou a me fazer sentir algum traço de emoção.

Depois de ter visto quem são as mentes por trás da obra, tudo de errado fez mais sentido. Tanto o guionista, David Golden, como o realizador, Michael M. Scott, e o cinematógrafo, Ronald Richard, têm maioritariamente no seu reportório aqueles filmes natalícios bombardeados de clichés, com diálogo que nos faz estremecer do tão mau que é. A cinematografia é, de longe, o melhor dos três males, mesmo que por vezes pareça tão comercial como a banda sonora que a acompanha.

Ainda assim, este mais recente esforço é um nível acima dos outros nas carreiras dos profissionais. No mínimo, se tivesse uma melhor estrutura de acontecimentos e um menor grau de melodrama, Dangerous Lies poderia ter resultado. Mas por fim, acaba por ser tão genérico como o título que apresenta e falha em cumprir os mais básicos requisitos de um thriller- cativar e surpreender. 


Margarida Nabais
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