Inscreve-te e tem vantagens!

The Half of It(2020)

Há 2 meses | Comédia, Romance, | 1h44min

de Alice Wu, com Leah Lewis, Alexxis Lemire, Daniel Diemer, Wolfgang Novogratz e Collin Chou


Triângulos amorosos são das coisas mais ancestrais no cinema. Em quase qualquer obra, sobretudo se for uma série, sabemos que a dada altura haverá romance a pairar no ar entre, pelo menos, três personagens. E, de uma maneira ou de outra, foi esta ideia que fez Alice Wu regressar ao cinema, mais de uma década depois.

Desde 2004 – na altura como Saving Face – que Alice Wu não escrevia ou dirigia uma obra cinematográfica. O seu regresso traz uma premissa tremendamente conhecida pela audiência, mas contada com algumas alterações que lhe dão um outro ar.

Paul Munsky (Daniel Diemer) é jogador de futebol do liceu e, claro, está apaixonado pela miúda mais gira da escola: Aster Flores (Alexxis Lemire). Como tem a capacidade intelectual de um tronco, decide pedir ajuda a Ellie Chu (Leah Lewis), a mais inteligente da zona, para escrever uma carta de amor à sua amada. O problema? Ellie está, também, apaixonada por Aster.

A narrativa é baseada nos mais famosos clichés de comédias românticas, mas Wu adiciona-lhe algumas pitadas interessantes que servem para tentar distanciar The Half of It da mediocridade. A sua realização é facilmente o mais apetecível do filme, com rasgos muito agradáveis. A maneira como a câmara capta as ações, as conversas, vê-se que Alice Wu está a contar uma história que, provavelmente, lhe diz algo a nível muito pessoal.

O elenco principal é competente, mas está sempre sozinho em tela. Os personagens secundários não têm qualquer tipo de apetite narrativo. Trig (Wolfgang Novogratz) é o rapaz mais giro do liceu mas, naturalmente, o mais burro possível. É daquelas personagens que, se nos descuidamos, fica a olhar para uma porta durante horas até que lhe digam para o parar de o fazer.

Os meus problemas com The Half of It começam na sua edição que, parece-me, não é a mais adequada para um filme que quer contar uma história vista e revista centenas de vezes. Embora o filme tenha situações engraçadas e diferentes, há certos momentos que são um fastio de ser assistir. E, por falar em humor, aqui nem sempre resulta. Resulta, mais facilmente, o humor que surge através da realização de Wu do que propriamente das personagens.

Mas, sobretudo, o meu maior problema com a longa-metragem é o facto de me apresentar um triângulo amoroso em que o amado, neste caso, tem namorado e isso parece não ser qualquer tipo de incómodo. Aster é a parceira de Trig, e até pensam em casar. Mas isso não impede Aster de ir a encontros com outro e até de haver troca de saliva. É só a mim que isso me faz confusão?

Gosto e desgosto do final, mas não entrarei por aí para quem estiver interessado em ver. Não é um filme que vos vá mudar a vida ou se quer a maneira como veem comédias românticas, mas a realização de Wu tem o seu charme e o filme vale por isso.


Pedro Horta
Outros críticos:
Nenhum autor votou nesta crítica.